FLÁVIO BOLSONARO PRECISA SER PRESO POR TRAIÇÃO AO BRASIL

0
256

FLÁVIO BOLSONARO PRECISA SER PRESO POR TRAIÇÃO AO BRASIL

Por Thomas de Toledo

O Brasil é um país soberano. Isto é uma cláusula pétrea escrita logo no Artigo 1º da Constituição Federal. Em outras palavras, o Brasil não é protetorado de ninguém, não é colônia de nenhuma potência estrangeira e não aceitará que forças militares de outros países atuem dentro do seu território.

País soberano não pede ataque estrangeiro ao próprio território e à própria população. Quem ocupa um cargo público e ignora esse princípio básico da República demonstra uma sórdida traição ao país.

Foi por isso que causou indignação nacional a declaração feita pelo senador Flávio Bolsonaro em outubro de 2025. Em uma publicação nas redes sociais, o senador sugeriu que os Estados Unidos poderiam atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas na Baía de Guanabara. Isso ocorreu na mesma época em que a Marinha estadunidense afundava barcos de pescadores na Venezuela, alegando combater traficantes.

Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que sentia inveja das ações militares americanas e mencionou a possibilidade de os Estados Unidos ajudarem no combate ao que chamou de organizações terroristas no Brasil. Sua fala ultrapassou o limite da retórica política e cruzou uma linha vermelha extremamente grave: a linha da soberania nacional. Vale destacar que um senador da República não fala apenas como cidadão comum. Ele fala como representante de um dos poderes do Estado brasileiro.

Durante o governo Jair Bolsonaro houve uma série de decisões e declarações na política externa brasileira de submissão aos Estados Unidos. O governo de extrema direita reconheceu o autoproclamado Juan Guaidó como presidente da Venezuela e alinhou o Brasil à estratégia de Washington para derrubar Nicolás Maduro. Jair Bolsonaro chegou a declarar que não descartava a instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Brasil. O país abriu mão do tratamento especial de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio para tentar obter apoio americano à entrada do Brasil na OCDE, algo que jamais se concretizou.

Ao mesmo tempo, a política externa brasileira passou a adotar um alinhamento ideológico incomum na tradição diplomática do país. Houve ataques públicos à China, principal parceiro comercial do Brasil, aproximação com a extrema direita internacional ligada a Steve Bannon e tentativas de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, em alinhamento direto com a política de Donald Trump.

Tornaram-se igualmente vexatórias as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sugerindo a entrega do Banco do Brasil ao Bank of America, bem como episódios em que Jair Bolsonaro fez críticas à própria Petrobras diante do presidente turco Tayyip Erdogan, além de quando mencionou a possibilidade de entregar a Amazônia a interesses internacionais em conversas com figuras como Al Gore.

Esses episódios representaram uma ruptura com a tradição histórica da política externa brasileira baseada na defesa da autonomia diplomática e do interesse nacional.

Outro da mesma família que traiu o próprio país foi Eduardo Bolsonaro, ao conspirar com o governo dos Estados Unidos para impor sanções ao Brasil por meio de tarifas, bem como ao defender a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do STF, com o objetivo de constranger a Suprema Corte brasileira. Portanto, a traição ao Brasil é uma prática recorrente da família Bolsonaro e continua sendo praticada.

Em março de 2026, Flávio Bolsonaro voltou ao tema ao defender que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações terroristas. Do ponto de vista jurídico, essa classificação não muda absolutamente nada. Chamar ou não de terroristas as facções não cria novos instrumentos de combate ao crime, não gera mais recursos e não altera estruturalmente o enfrentamento da criminalidade no país. O problema da segurança pública brasileira é muito mais profundo do que uma simples mudança de nomenclatura jurídica.

O verdadeiro problema é outro. A atual Lei Antiterrorismo brasileira possui limites evidentes. A Lei nº 13.260, de 2016, foi criada em um contexto específico de Olimpíadas, literalmente “para inglês ver”. Como consequência, acabou restringindo excessivamente a definição jurídica de terrorismo a casos ligados a racismo ou violência religiosa. Na prática, isso criou uma lacuna importante na legislação brasileira quando se trata de atos de violência política destinados a gerar medo coletivo ou pressionar instituições do Estado.

Episódios recentes mostram claramente essa fragilidade jurídica. Nos ataques de 8 de janeiro de 2023, houve invasão das sedes dos três Poderes, depredação massiva do patrimônio público e ações destinadas a intimidar autoridades, servidores públicos e as próprias instituições democráticas. Antes disso também vieram à tona casos ligados a extremistas bolsonaristas, como a tentativa de explosão de um caminhão-bomba nas proximidades do aeroporto de Brasília, incêndios criminosos de ônibus e outros atos planejados para provocar caos e gerar medo social, como o caso do homem-bomba bolsonarista que se explodiu em frente ao STF.

Esses episódios levaram juristas e analistas a discutir se a legislação brasileira possui instrumentos suficientes para enquadrar juridicamente atos de violência política que buscam desestabilizar instituições democráticas.

Nada disso, porém, tem qualquer relação com convidar uma potência estrangeira a agir militarmente dentro do Brasil. Existe uma diferença gigantesca entre cooperação internacional e ingerência externa. Cooperação ocorre entre Estados soberanos por meio de acordos formais. Ingerência ocorre quando se sugere que uma potência estrangeira possa agir militarmente dentro do território nacional. País que aceita ingerência estrangeira deixa de ser plenamente soberano.

A própria Constituição brasileira estabelece com clareza quais devem ser os princípios da política externa do país. O Artigo 4º determina a não intervenção, a autodeterminação dos povos e a solução pacífica dos conflitos. Esses princípios existem exatamente para impedir que conflitos internos sejam resolvidos pela força de potências estrangeiras.

O texto constitucional também deixa claro o quanto a defesa da soberania nacional é considerada um tema gravíssimo. O Artigo 5º, inciso XLVII, estabelece que a pena de morte é proibida no Brasil, salvo em caso de guerra declarada. Esse dispositivo histórico demonstra o peso que o ordenamento jurídico brasileiro atribui à defesa da integridade do Estado e da nação.

A história recente mostra que o risco de intervenção estrangeira no Brasil não é uma possibilidade abstrata. Em janeiro de 2026, forças dos Estados Unidos realizaram uma operação militar na Venezuela que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. No Oriente Médio, o Irã foi levado a uma guerra contra Estados Unidos e Israel, tendo sua soberania violada.

Esses episódios mostram que os Estados Unidos não hesitam em usar pressão econômica, política ou militar para impor seus interesses quando julgam necessário. É por isso que qualquer discurso que relativize a soberania brasileira ou sugira a possibilidade de ação militar estrangeira dentro do país precisa ser tratado com a máxima gravidade.

A defesa da soberania não é retórica ideológica, mas uma questão de segurança nacional, de independência política e de proteção da própria existência do Estado brasileiro. Quem ocupa cargo público tem o dever de defendê-la de forma incondicional.

O Brasil enfrenta desafios reais na área da segurança pública. Crime organizado, narcotráfico e violência são problemas graves que precisam ser enfrentados com firmeza. Mas nenhuma solução para esses problemas pode significar abrir mão da soberania nacional. Segurança pública não se resolve entregando o país a outra potência.

Por isso, Flávio Bolsonaro é um traidor do Brasil. Deveria ter seu mandato cassado e perder seus direitos políticos. Quaisquer manifestações em favor de uma agressão imperialista ao Brasil deveriam ser censuradas. No caso de uma guerra contra o Brasil, a pena de morte prevista na Constituição deveria ser aplicada àqueles que colaboraram para que o país fosse atacado, principalmente se esse ataque resultasse na perda de vidas humanas inocentes.

 

Artigo AnteriorPARA AS HIENAS QUE RIEM D’O AGENTE SECRETO
Próximo ArtigoO RALHO do GEUVAR >Pão de queijo pra Mídia golpista!
O Ralho
O Portal O Ralho é composto por um grupo de artistas digitais que utiliza a política como fonte de inspiração. Dado o tamanho da bizarrice a política é humor próprio e porque é, em si, uma coisa engraçada. O humor, ao contrário, é uma coisa muito séria. Provo: a política é toda feita de dribles à imprensa, de desmentidos impossíveis, de promessas jamais cumpridas, de ilusão, enfim, enquanto o humor não engana ninguém: ou é engraçado ou não é, está ali no papel em exibição pública, nu e cru. Seríssimo. Por isso, os políticos em geral são bons humoristas enquanto os humoristas sempre foram péssimos políticos. Então o Ralho traz a visão contestadora, humorística e diária da realidade…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here