“Oscar” não é Copa do Mundo. E vice-versa

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“Oscar” não é Copa do Mundo. E vice-versa

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Não adianta torcer e não há VAR

Não sei quem começou a comparar o “Oscar” com a Copa do Mundo. Se foi a imprensa ou algum influenciador das redes sociais. O fato é que muita gente embarcou nessa. E formaram-se torcidas organizadas. E, quando o Brasil não ganhou nenhuma estatueta, muitos ficaram tristes, decepcionados e outros revoltados. Chamaram o resultado de “marmelada”.

Parece óbvio que tudo isso aconteceu em virtude do clima de polarização em que vivemos. Diante de fatos políticos, culturais ou sociais, formam-se bolhas a favor e contra. Torcidas a favor e contra. E uma quer infernizar a outra.

Deixando de lado as emoções exacerbadas, é fácil constatar que o “Oscar” não pode ser comparado a uma partida de futebol, na qual a disputa ocorre no período de 90 minutos em que se realiza, ao vivo, diante de uma torcida no estádio.

No futebol, os gritos dos torcedores podem estimular os jogadores a se esforçar mais, a correr mais e a caprichar nos chutes para fazer gols.

Ao contrário disso, na noite em que o “Oscar” vai ao ar, o resultado já está definido. Os votos do colégio eleitoral já foram computados. Não há disputa. Não adianta torcer. Torcer por este ou aquele é inócuo.

Além disso, não há derrotados e vencedores. Há os que levaram o “Oscar”, tanto que a frase que antecede o resultado é “o Oscar vai para…”. Todos os filmes, estrelas e técnicos indicados fazem parte da elite do cinema.

Mais absurdo ainda do que torcer é contestar os escolhidos. Num jogo de futebol pode haver lances claros de pênalti que o juiz ignora. Na eleição dos “oscarizáveis”, é impossível saber quem votou em quem ou no quê. Não há provas, portanto, de fraude. Não há VAR. Jamais, em toda a história do “Oscar”, de quase 100 anos, alguém que não ganhou contestou o resultado. Porque não é um time jogando contra outro, como no futebol.

Tanto “O Agente Secreto” quanto Wagner Moura não foram derrotados. Estavam lá porque foram considerados um dos dez ou um dos cinco melhores. Se houvesse alguma conspiração contra o Brasil, eles não estariam lá.

Daqui a alguns meses, na Copa do Mundo de verdade, aí sim será a hora de torcer pelo Brasil.

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O Ralho
O Portal O Ralho é composto por um grupo de artistas digitais que utiliza a política como fonte de inspiração. Dado o tamanho da bizarrice a política é humor próprio e porque é, em si, uma coisa engraçada. O humor, ao contrário, é uma coisa muito séria. Provo: a política é toda feita de dribles à imprensa, de desmentidos impossíveis, de promessas jamais cumpridas, de ilusão, enfim, enquanto o humor não engana ninguém: ou é engraçado ou não é, está ali no papel em exibição pública, nu e cru. Seríssimo. Por isso, os políticos em geral são bons humoristas enquanto os humoristas sempre foram péssimos políticos. Então o Ralho traz a visão contestadora, humorística e diária da realidade…

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