Análise Política -Ação contra garimpeiros deve chegar em Bolsonaro

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É preciso responsabilizar os agentes políticos que permitiram este verdadeiro genocídio contra o povo ianomâmi, defende Aquiles Lins

Por Aquiles Lins *

A operação do governo Lula para retirada de garimpeiros das terras indígenas ianomâmis nessa quarta-feira (8) mostrou ao país a atuação do estado na região, algo que não foi feito pelo menos nos últimos quatro anos. Na ação conjunta do Ibama com a Funai, agências ambientais e povos indígenas, agentes prenderam dezenas de garimpeiros, destruíram um avião, um trator de esteira e equipamentos utilizados na extração de ouro na maior reserva indígena do Brasil, fronteira com a Venezuela.

O cenário é de destruição. Terras arrasadas, floresta derrubada, rios contaminados com mercúrio. Uma devastação desta magnitude só se tornou possível porque o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro abriu as portas para garimpeiros. Ao mesmo tempo em que incentivou a extração ilegal de ouro na área, contribuindo para a contaminação por mercúrio de dezenas de indígenas, Bolsonaro e vários de seus auxiliares ignoraram os repetidos alertas e pedidos de ajuda do povo ianomâmi.

A ONG Survival International estima que mais de 20 mil garimpeiros invadiram a reserva trazendo doenças, abuso sexual e violência. Segundo balanço do Ministério dos Povos Indígenas, apenas no ano passado, 99 crianças do povo Ianomâmi morreram em decorrência do avanço do garimpo ilegal na região. A maioria por desnutrição, pneumonia e diarreia.

Quem criou as condições políticas para o avanço dos garimpeiros nas terras ianomâmis que resultaram em tantas mortes e destruição? Nós observamos quatro anos de ataques do então presidente Jair Bolsonaro aos povos indígenas e de desmonte da política ambiental, de fiscalização e combate ao desmatamento. A estrutura governamental a favor do crime.  Tivemos um ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles – eleito deputado federal, que é investigado por contrabando de madeira. Expulsar e punir garimpeiros da reserva indígena é urgente e necessário. Assim como é preciso responsabilizar os agentes políticos que permitiram este verdadeiro genocídio contra o povo ianomâmi.

A Polícia Federal anunciou no fim de janeiro a abertura de um inquérito para investigar se houve crime de genocídio e omissão de socorro ao povo yanomami nas ações do governo. Bolsonaro também é alvo de duas denúncias no Tribunal Penal Internacional. Nas ações, a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Comissão Arns defendem que o ex-presidente cometeu crimes de genocídio durante a pandemia de covid-19 e na forma como ele lidou com a proteção dos indígenas nos últimos quatro anos.

 

Em representação no Senado, o PSOL pediu que a senadora Damares Alves responda no Conselho de Ética da Casa sobre o uso da máquina pública para promover o que a legenda chamou de uma política “etnocida e racista” contra os povos originários, em especial os yanomami. Damares esteve à frente do ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, no governo Bolsonaro.

Sem anistia para Bolsonaro e seus agentes nos crimes contra o povo ianomâmi.

Aquiles Lins

Aquiles Lins é editor-executivo do Brasil 247 e apresentador do programa O Dia em 20 Minutos, da TV 247. É jornalista e mestre em Ciência Política.

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