Talvez Bolsonaro não lhe passe a faixa, e isso é o de menos. Talvez não faça uma transição civilizada, como a que Fernando Henrique inaugurou na passagem do governo a Lula, em 2002, e isso dificultará as coisas.
Será complicado montar um ministério com tantas forças aliadas. Antes de anunciá-lo, Lula irá à Argentina, aos Estados Unidos e à Europa, com direito a encontro com o Papa.
Mas todas as dificuldades serão nada, dentro da normalidade, diante do que teríamos com um segundo mandato em que Bolsonaro aprofundaria seu projeto autoritário. Lembremo-nos sempre disso.
Ontem me lembrei do dia da eleição de Bolsonaro, em 2018. Eu escrevia uma coluna para o Jornal do Brasil, enquanto os fogos estouravam no meu bairro. Dei-lhe por título “O inverno chegou”. Eu previa um ciclo de dores e temia que durasse mais que quatro anos. Naquele momento Lula estava preso e o PT demonizado, embora Haddad tenha feito o milagre de chegar ao segundo turno. Hoje podemos dizer: o inverno acabou. É primavera no Brasil.
Tereza Cruvinel
Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.