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ANÁLISE POLÍTICA >Apoio de Bolsonaro virou abraço de afogado

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Apoio de Bolsonaro virou abraço de afogado

“Apoio de Bolsonaro em 2024 virou abraço de afogado. Imagine então em 2026”, aponta

Por >Alex Solnik*

Já se começa a discutir, nas campanhas a prefeito, à luz dos últimos acontecimentos, até que ponto ter o PL na coligação e o apoio de Bolsonaro vai fazer bem ao candidato.

   O futuro do partido de Bolsonaro é incerto. O presidente Valdemar Costa Neto está preso por tempo indeterminado. A busca e apreensão na sede  já encontrou elos com a conspiração contra o estado democrático de direito.

   Cassação do registro e pena longa para Valdemar não são possibilidades fora do radar.

   Bolsonaro, o principal garoto-propaganda do PL, está em maus lençóis.

   Seu futuro também é incerto, mas há algumas certezas.

   Seu prestígio sofreu um forte abalo com a exibição da infame reunião ministerial de 5 de julho de 2022 em todos os meios de comunicação.

    Os bolsonaristas mais empedernidos podem não ter sido afetados, mas o eleitor de classe média, sim. Não é possível avaliar ainda o tamanho do prejuízo, mas ele tende a crescer com o passar do tempo.

   Tudo indica que Bolsonaro será assunto negativo na imprensa – e nas redes sociais – por muito tempo, durante toda a campanha.

   Daqui até junho novas provas poderão surgir a partir das buscas e apreensões de anteontem. Espaço na imprensa não vai faltar para elas.

   Em junho deverão terminar as investigações. Haverá repercussão.

   A seguir as investigações vão seguir para a PGR. Mais repercussão.

   E depois para o STF. O mais importante julgamento da nossa geração.

   A pergunta do ano será “quando Bolsonaro será preso”? É só disso que vão falar nos becos e nos botecos.

   Associar o candidato ou o partido a um político prestes a ser julgado por golpe de estado vai dar voto? Ou tirar? Imaginem como as campanhas dos adversários vão se aproveitar disso. Vão colocar neles o rótulo de aliados do golpista.

   O prefeito de São Paulo vai topar ser apadrinhado por um ex-presidente que tentou incendiar o país e está sujeito a cumprir pena por golpe de estado?

   Vai aceitar que o ex-presidente que tentou dar um golpe de estado indique o seu vice?

   Vai deixar se associar a um partido investigado por golpe de estado?

   Se a resposta dele for sim, melhor para Boulos.

   Leva no primeiro turno.

   Apoio de Bolsonaro em 2024 virou abraço de afogado.

   Imagine então em 2026.

*Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

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O Portal O Ralho é composto por um grupo de artistas digitais que utiliza a política como fonte de inspiração. Dado o tamanho da bizarrice a política é humor próprio e porque é, em si, uma coisa engraçada. O humor, ao contrário, é uma coisa muito séria. Provo: a política é toda feita de dribles à imprensa, de desmentidos impossíveis, de promessas jamais cumpridas, de ilusão, enfim, enquanto o humor não engana ninguém: ou é engraçado ou não é, está ali no papel em exibição pública, nu e cru. Seríssimo. Por isso, os políticos em geral são bons humoristas enquanto os humoristas sempre foram péssimos políticos. Então o Ralho traz a visão contestadora, humorística e diária da realidade…

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