A fúria do imperialismo: ataque pérfido ao Irã e diplomacia como farsa
Donald Trump evocou em discurso neste sábado sua suposta força inexpugnável, mas há indicadores na conjuntura de que os EUA não são invencíveis
Por José Reinaldo Carvalho – O mundo despertou neste sábado, 28 de fevereiro, sob a fúria de dois Estados bandidos. Um deles, os Estados Unidos da América, em plena decadência política, econômica e moral, mas ainda detentor da condição de maior superpotência militar. O outro, Israel – criação artificial da benevolência ingênua dos vencedores da Segunda Guerra Mundial -, que hoje se comporta tal qual seus algozes nazistas, fazendo-se merecedor da alcunha de nazi-sionistas e genocidas. Ambos, párias internacionais e inimigos da humanidade, revelaram, com atos agressivos contra uma nação soberana, seus desígnios malignos.
Enquanto a aurora despontava suavemente sobre Teerã, Isfahan e Tabriz, a morte chegava pelos céus, conduzida pela aliança macabra do imperialismo estadunidense e de seu fiel satélite no Oriente Médio, o regime sionista de viés fascistizante em Israel. Um crime hediondo que afronta a consciência e os direitos dos povos do mundo.
Trata-se de uma brutal e calculada agressão imperialista contra a soberania e o povo da República Islâmica do Irã. A operação militar, pomposamente intitulada “Epic Fury” (fúria épica) pela máquina de propaganda do Pentágono, representa a face mais sórdida, repugnante e violenta de uma política externa que sangra as nações que ousam desafiar os ditames de Washington e Tel Aviv. É, ainda, uma flagrante e inaceitável violação do Direito Internacional e da Carta da ONU, com a qual os chefes dos dois países agressores lançam ao lixo o princípio da soberania nacional para impor seus desígnios pela força das bombas.
Os ataques fundamentam-se em falsos pretextos de que o Irã representaria uma ameaça direta à segurança norte-americana e de seus aliados. Sustenta-se também na narrativa de que o país persa constitui uma ameaça existencial a Israel, para justificar ações militares agressivas na região.
A finalidade imediata dessas ofensivas é a desestabilização política para derrubar o governo iraniano e promover o assassinato de sua liderança. Essa intenção torna-se explícita no discurso de Trump e Netanyahu quando autoridades afirmam o propósito de “decapitar o regime” de Teerã.
Estratégia de Hegemonia Global
Sob uma perspectiva de longo prazo, o objetivo estratégico reside na consolidação da hegemonia estadunidense no Oriente Médio, nos marcos da estratégia de imposição de uma tirania global, utilizando o controle geopolítico da região como um dos pilares para a manutenção de seu poder absoluto em escala mundial.
O ataque ao Irã insere-se na execução de um plano mais amplo de reconfiguração do Oriente Médio, orientado pela imposição de uma hegemonia absoluta dos Estados Unidos e de Israel sobre a região. Ao desestabilizar um dos principais polos de resistência à sua influência, Washington e Tel Aviv buscam redesenhar o equilíbrio de forças, enfraquecer alianças adversárias e consolidar uma arquitetura regional subordinada aos seus interesses estratégicos, energéticos e militares. Trata-se, nessa perspectiva, não de um episódio isolado, mas de um movimento calculado para redefinir fronteiras de poder e estabelecer um novo arranjo geopolítico sob domínio incontestado.
A perfídia do ataque não se resume à violência, mas também revela hipocrisia. O governo dos Estados Unidos, por meio de sua principal figura, Donald Trump, escolheu o caminho da traição. Horas antes de as primeiras bombas devastarem bairros e instalações iranianas, o mesmo interlocutor que agora ordena o fogo declarava publicamente sua preferência pela via diplomática. O Irã, de boa-fé, mantinha-se engajado em negociações, acreditando seriamente na possibilidade de um entendimento pacífico. Essa postura demonstra a maturidade e o compromisso iranianos com a paz, em contraste absoluto com a conduta de seus agressores.
A “diplomacia” de Trump revela-se agora em sua essência: uma farsa, um teatro montado para enganar não apenas a contraparte nas mesas de negociação, mas, sobretudo, para iludir e anestesiar a opinião pública mundial e estadunidense. Enquanto palavras de paz eram sussurradas para consumo da imprensa, as garras do império já estavam preparadas para o golpe. Esse estratagema, a diplomacia da coerção e da pressão máxima, digno dos capítulos mais sombrios da dominação estrangeira, busca desarmar moral e politicamente a vítima para, em seguida, golpeá-la com maior crueldade.
Diante dessa escalada criminosa, a reação imediata e corajosa do Irã, com o lançamento de mísseis contra as bases da agressão, configura um exercício legítimo de autodefesa, direito inalienável de qualquer nação soberana. O fechamento de aeroportos e a mobilização militar em toda a região retratam o pânico que se abate sobre os aliados do imperialismo, agora temerosos do que consideram o justo fogo da resistência.
No cenário internacional, algumas vozes se levantam. A postura do Brasil, ao expressar “condenação e grave preocupação”, alinha-se solidariamente à vítima. A defesa do Direito Internacional equivale, nesse contexto, a um chamado pela paz. Por sua vez, a Rússia, com a clareza de quem conhece o expansionismo da OTAN, classificou os bombardeios como “agressão armada não provocada”. “A soberania nacional, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas”, afirmou a chancelaria chinesa, que também exigiu a “suspensão imediata das operações militares, para evitar uma escalada das tensões, a retomada do diálogo e das negociações e a manutenção da paz e da estabilidade no Oriente Médio”. Países da região não respaldaram a ação estadunidense-sionista, preocupados com o risco de ampliação da guerra. Em sentido oposto, a União Europeia, a Alemanha, o Reino Unido e a França priorizaram a condenação ao Irã, apresentando-se como forças subordinadas ao sistema imperialista ocidental.
As consequências econômicas e geopolíticas da ação agressiva dos Estados Unidos e de Israel podem ser graves.
Para as forças progressistas mundiais, o essencial é defender a paz, a soberania nacional e uma nova governança livre dos laços de dominação imperialista. Acima de tudo, move essas forças a solidariedade a um povo irmão sob ataque, uma nação que luta para construir seu próprio destino, livre das amarras da dominação imperialista e sionista e da chantagem nuclear.
Este é um momento crítico. A humanidade se equilibra no fio da navalha. Que fique claro: a resistência do povo iraniano é também a resistência de todas as forças progressistas e amantes da paz no mundo. Cada bomba que explode em Teerã explode igualmente nos corações de todos os que lutam contra a opressão imperialista. O silêncio diante dessa barbárie é cumplicidade.
Os graves acontecimentos desencadeados neste 28 de fevereiro suscitam uma reflexão que deve conduzir, necessariamente, à ação. A luta antifascista está intrinsecamente ligada e subordinada à luta anti-imperialista. Não existe hoje “questão democrática”, “questão nacional” ou “questão desenvolvimentista” dissociada do enfrentamento ao imperialismo. Cabe aàs forças progressistas, como tarefa simultaneamente estratégica e tática, assumir a prioridade da luta anti-imperialista. Isso implica prioridade absoluta, no plano internacional, à solidariedade internacionalista, incluindo ao Irã. Discussões vagas levam muitas forças políticas à armadilha de, em nome da “democracia” e dos “direitos humanos e individuais”, condenar e combater o “regime” do Irã, posição de cumplicidade com o inimigo da humanidade.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, encerrou seu discurso na madrugada deste sábado ao anunciar a guerra contra o Irã, evocando a suposta força militar inexpugnável de seu país. No entanto, a história demonstra que nada é absoluto ou invulnerável no cenário internacional. Tudo é marcado pela instabilidade e pela mudança. Os Estados Unidos vivem lancinantes e profundas contradições internas profundas e sofrem um desgaste crescente diante de nações e povos que valorizam a liberdade e a autodeterminação.
















