A volta de Trump, a tirania autorizada
‘Donald Trump trará tempestades de grande poder destrutivo, com mudanças na geopolítica e na economia internacional’, escreve Tereza Cruvinel
Por Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel
Há uma diferença entre esta eleição de Trump e a de 2016: desta vez, a maioria dos americanos o elegeram sabendo perfeitamente quem ele é. E deram de fato a ele um poder sem precedentes, como se dissessem numa grande hashtag no X de seu amigo Musk: eu autorizo.
Autorizam o populismo autoritário e o racismo, a xenofobia e a deportação em massa de imigrantes, o negacionismo climático e a volta da delinquência ambiental, o negacionismo sanitário e a sonegação das vacinas, o boicote ao multilateralismo, a perseguição dos adversários e até o abandono dos aliados, como a Europa e sua Otan. Desta vez, tudo foi dito e bem ouvido.
Em 2016, Trump era de fato um outsider do sistema político, um rico empresário e homem de mídia que um dia anunciou, nas escadarias de sua torre em Nova York, que iria disputar a presidência. Muitos talvez não soubessem mesmo quem ele era e o que significava. Votaram nele porque eram republicanos, simpatizaram com ele ou tinham antipatia pela democrata Hillary Clinton.



Foi o mais votado (37%) embora não tenha feito a maioria no Parlamento.
Em janeiro, após meses de instabilidade, Hitler foi nomeado chanceler. Daí para virar ditador foi um passo, e o resto nós sabemos.
O argentino acha que seu governo desastroso pode ser salvo por Trump. Bolsonaro e os seus acham que ele poderá livrá-lo da inelegibilidade para poder concorrer em 2026. Ilusão. Para isso acontecer nosso Judiciário teria que dobrar o joelho e renegar a soberania.