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MICHELLE SUBIU O PREÇO

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MICHELLE SUBIU O PREÇO 

A ameaça de Michelle de abandonar a corrida ao Senado não é soluço de madrasta ofendida, mas política no estado bruto: disputa de herança, controle de máquina e aviso ao clã.
Ela entendeu antes dos filhos de Bolsonaro que o patriarca virou ativo judicialmente tóxico. Restou o espólio: eleitorado evangélico, mulheres conservadoras, PL Mulher, redes locais, candidaturas, dinheiro partidário, palanque e narrativa. E Michelle quer a chave do cofre simbólico.
O Senado pelo DF seria bom – mandato, foro, tribuna, musculatura -, mas o plano é maior: deixar de ser “mulher do mito” e virar fiadora do pós-Bolsonaro.
Flávio precisa dela para parecer palatável às mulheres, Eduardo precisa dela para não parecer só um exilado berrando em inglês de WhatsApp, Carlos precisa dela para fingir que existe afeto onde só há bunker.
Michelle percebeu a fragilidade masculina do bolsonarismo: muita testosterona de teclado, pouca capacidade de falar com mulher sem dar ordem.
Por isso a briga importa. Quando ela peita Flávio, não está chorando no canto da sala, mas está dizendo: “sem mim, vocês não montam a sucessão”.
Se desistir, enfraquece o clã; se ficar, cobra caro; se recuar, acumula força; se avançar, entra como dona de capital próprio.
A família Bolsonaro descobriu tarde demais que Michelle aprendeu o jogo. E, no jantar da sucessão, ela não levou flores; levou a faca.

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