A bandidagem do Banco Master e os manipuladores de sempre

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A bandidagem do Banco Master e os manipuladores de sempre

Ofensiva midiática tenta deslocar responsabilidades e construir narrativa que dilui os verdadeiros beneficiários do escândalo envolvendo o Banco Master

Foi o governo de Lula o responsável pelo desbaratamento da quadrilha de banditismo financeiro que operava por meio do Banco Master. Como as investigações realizadas pela PF demonstraram, os bandidos aplicaram golpes que ultrapassam 50 bilhões de reais.

Também foram descobertos vínculos associativos do banco-quadrilha com vários grupos poderosos do país, incluindo, além de instituições financeiras, setores do agronegócio e certas igrejas neopentecostais. Por outro lado, no espectro político, o proprietário nominal da organização criminosa mantinha estreitos laços com agentes políticos do bolsonarismo e do chamado “centrão”, ou seja, com aqueles conhecidos por integrarem a extrema direita neofascista-bolsonarista e a direita fisiológica.

Como coordenador típico de uma quadrilha mafiosa-financeira digna desta denominação, seu titular soube armar uma enorme rede de proteção, que se estende por diversas áreas institucionais. Por isso, ele mantinha contatos em todos os poderes. Porém, não podemos nos deixar levar pela onda diversionista, que deseja estabelecer a ideia de que os principais culpados pelos crimes praticados pelo banco-quadrilha são os contatos estabelecidos em busca de proteção.

A geração e difusão desta onda, que busca tergiversar a essência do problema e ocultar os grandes beneficiários e apoiadores das atividades do banco-bandido, está a cargo da mídia corporativa, especialmente do grande conglomerado midiático que se destacou no apoio e endeusamento dos crimes praticados pela organização criminosa que ficou conhecida como Operação Lava Jato.

Não é nada fortuito que estejam voltando à cena de modo intenso os vazamentos exclusivos e limitados a certos nomes, assim como a divulgação de PowerPoints, com os quais o que se busca é fixar no imaginário público a percepção de que Lula e seu governo são os principais responsáveis pelos delitos cometidos pela quadrilha de bandidos financeiros que comandava o Banco Master.

Não nos esqueçamos que, nos tempos da primeira versão da Lava Jato, a grande mídia corporativa estava empenhada num projeto de desnacionalização e privatização da Petrobras, na entrega dos recursos do pré-sal a empresas gringas e em faturar com os dividendos por suas ações entreguistas. Com este propósito, dedicaram-se a consolidar a percepção de que o grande escândalo de corrupção em nosso país era uma oferta de reforma em um imaginário triplex que Lula possuiria no Guarujá. Nesta oportunidade, as tentativas vão no sentido de transformar no suprassumo da corrupção a movimentação de certos valores nas contas do filho do presidente. Isto a despeito de que os donos da corporação midiática em questão considerariam esses valores merrecas insignificantes se fossem para eles próprios.

Na verdade, além de blindar os políticos aliados dos interesses com os quais a mídia corporativa está intrinsecamente ligada, como é o caso dos governadores que, através de órgãos de seus respectivos estados, transferiram vários bilhões de recursos públicos, muitos deles pertencentes a fundos previdenciários dos trabalhadores estaduais, para os cofres do banco bandido, esses recursos foram parar nas contas de alguém, logicamente. Mas o conglomerado midiático do lavajatismo 2.0 não tem a mínima pretensão, muito menos interesse, de que os nomes dos beneficiados venham a ser revelados.

Outro estratagema empregado pelos articuladores da mídia corporativa com vistas a ludibriar os indícios que comprovam que o envolvimento nas atividades delituosas deste caso indicam um esmagador predomínio numérico de pessoas com as quais mantém amplas afinidades é ampliar ao máximo o leque das suspeitas. Desta maneira, a culpa pela roubalheira ficaria diluída entre todo mundo. E, como sabemos, se a culpa é de todos, a culpa é de ninguém em particular. Com isto, a corporação midiática almeja ter um bom argumento para “sugerir” um nome de fora dos que estão disputando a cabeça do Estado neste momento.

Ainda dentro de seu propósito diversionista, outros esforços são dirigidos a centrar a culpa em certos elementos do Judiciário que, ultimamente, vêm criando alguns embaraços para o livre desenvolvimento das atividades de interesse da corporação. Não creio haver muita dúvida quanto ao comportamento inteiramente desabonador de alguns dos integrantes de nossa máxima corte neste episódio. Do ponto de vista do campo popular, considero inteiramente equivocada a determinação de inocentar os ditos magistrados por sua atuação, mesmo diante das evidências que os comprometem.

No entanto, e isto me parece de suma relevância, uma coisa é não inocentá-los, e outra bem diferente é passar a vê-los e tratá-los como os grandes vilões desta enorme roubalheira. Neste caso específico, eles parecem ter servido como coadjuvantes e deveriam ser tratados como tais. Insistir em bombardeá-los como se fossem os grandes arquitetos da gigantesca roubalheira do Banco Master acaba por beneficiar os verdadeiros responsáveis por este crime tão brutal contra todo o povo brasileiro.

Entendo que os veículos da mídia contra-hegemônica têm o dever moral de esclarecer esta questão. Penso que só assim poderemos desarmar a nova bomba lançada pelos eternos herdeiros do espírito do lavajatismo.

Jair de Souza – Economista formado pela UFRJ, mestre em linguística também pela UFRJ

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