Daniel entre André e Alexandre: em busca de uma justiça plebiscitária
“É vergonhosa, mas persistente, a lógica brasileira de apropriação particularista e arrogante da Justiça por seus próprios operadores”

A decisão de André de retirar o sigilo do relatório da PF recoloca Alexandre no centro do último capítulo disponível da saga “Sempre cabe mais um no cercado abismo VIP de Daniel”. Onze ministros, vários segredos de Justiça e uma grande crise interna, marcada por vazamentos escolhidos a dedo por mãos diversas e rivais. O STF já é um personagem decisivo em uma série de alta voltagem: o caso da República Master.
É vergonhosa, mas persistente, a lógica brasileira de apropriação particularista e arrogante da Justiça por seus próprios operadores.
Certas autoridades judiciais fazem o certo pelo errado e o errado pelo certo, por meio do uso extravagante e abusivo de um poder que não pode estar acima da Constituição. Manobram a legalidade conforme suas conveniências interpretativas e corroem, por dentro, o sentido e a confiança pública na Justiça.
A investigação Vorcaro expõe isso. De um lado, relações, acessos e proximidades incompatíveis com a distância e as blindagens institucionais que se esperam de quem julga; de outro, a transformação da investigação policial em uma arena de disputa entre ministros e em uma mercadoria político-eleitoral valiosa. Daí o uso estratégico de vazamentos seletivos, em vez de transparência e luz do sol nos procedimentos e nas decisões da PF e da Corte no caso Master.
Tem-se, com isso, o risco de uma justiça plebiscitária, movida pela opinião pública convertida em likes, que cria heróis e vilões. Em vez de juízes guardiões da Constituição, observam-se embates com vinganças, golpes e contragolpes entre ministros pugilistas, acusados de lealdade aos projetos de poder daqueles que os indicaram. Alguns integrantes da Corte tornam-se personalidades da mídia, com opinião sobre tudo e qualquer coisa. Eles ocupam a cena pública no caso Master, enquanto os critérios decisivos de suas próprias decisões permanecem opacos e indevassáveis.
É dessa forma que a toga vira uma figura animada de meme e a autoridade vira uma performance autárquica a serviço de uma verdade parcial e conivente. Converte-se, dessa forma, a Justiça em uma justiça de auditório, que quer conduzir a plateia de eleitores e servir como peça publicitária de campanha eleitoral. É também assim que se ameaça a democracia à brasileira, que muitos querem que siga ameaçada.




















