quarta-feira, agosto 26, 2026
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Flávio Bolsonaro não presta contas dos milhões de Vorcaro e usa laudo sem notas fiscais para fugir do caso Dark Horse Candidato do PL prometeu prestar contas, mas agora tenta jogar a cobrança para Lula e tratar como assunto privado um filme financiado por banqueiro investigado

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Flávio Bolsonaro não presta contas dos milhões de Vorcaro e usa laudo sem notas fiscais para fugir do caso Dark Horse

Candidato do PL prometeu prestar contas, mas agora tenta jogar a cobrança para Lula e tratar como assunto privado um filme financiado por banqueiro investigado

Flávio Bolsonaro tenta transformar uma cobrança objetiva em cortina de fumaça política. Questionado sobre o contrato entre a produtora do filme Dark Horse e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o candidato do PL à Presidência reagiu com irritação, atacou a imprensa, desviou o foco para Lula e afirmou que a prestação de contas já teria sido feita. O problema é que a própria explicação do senador expõe suas contradições.

Em maio, quando vieram a público áudios em que Flávio pedia R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, o senador prometeu prestar contas em 30 dias. Mais de três meses depois, não apresentou o contrato, não mostrou a origem detalhada dos recursos e passou a dizer que a obrigação não é dele, mas da produtora Go Up Entertainment, de Karina da Gama.

Ora, quem prometeu prestar contas foi Flávio Bolsonaro. Agora, diante da cobrança, ele afirma: “Não houve recuo nenhum. Eu vi a prestação de contas no g1. Dá um Google vocês no g1. A prestação de contas tá lá na matéria do g1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro]. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou. Da minha parte eu digo, não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula, porque fez reuniãozinha escondida com Augusto Lima e o Vorcaro”, disse Flávio Bolsonaro. A resposta não responde à pergunta central: qual foi exatamente a participação do senador na negociação com Vorcaro e quais documentos comprovam a regularidade dos repasses?

Ao dizer que viu a prestação de contas no g1, Flávio tenta usar uma reportagem jornalística como se ela substituísse a transparência que ele próprio prometeu. Mas a matéria citada informa justamente que a perícia anexada ao inquérito foi contratada pela defesa de Karina da Gama e não apresentou recibos nem notas fiscais dos gastos declarados. Ou seja: o documento usado pelo senador como escudo não encerra as dúvidas; ao contrário, reforça a necessidade de esclarecimento.

A produtora declarou gasto de R$ 75 milhões com o filme, dos quais R$ 54 milhões teriam sido desembolsados no exterior, apesar de Dark Horse ter sido filmado no Brasil. Também não foi esclarecida a origem dos R$ 20,9 milhões gastos no país. Esses pontos são relevantes porque a Go Up Entertainment pertence à mesma empresária ligada à ONG Instituto Conhecer Brasil, alvo de investigação em São Paulo por um contrato de R$ 108 milhões para instalação de wi-fi na periferia da capital paulista.

É por isso que a tentativa de Flávio de reduzir o caso a uma “relação privada” não se sustenta. A investigação apura justamente se houve uso de recursos públicos no filme. Quando uma ONG contratada pela Prefeitura de São Paulo por R$ 108 milhões pertence à mesma empresária da produtora do longa, funciona no mesmo endereço e aparece no centro de uma apuração policial e do Ministério Público, o assunto deixa de ser apenas privado.

A segunda contradição está na tentativa de se afastar de Daniel Vorcaro. Flávio disse: “Vocês não vão me colocar na mesma página pública desse cara”. Mas os áudios revelados em maio mostraram o próprio senador pedindo dinheiro ao banqueiro para a produção do filme. Segundo as informações já divulgadas, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões aos produtores por meio de um fundo nos Estados Unidos, enquanto Flávio teria negociado um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época.

A terceira contradição está no uso de Lula como rota de fuga. Ao citar uma suposta “reuniãozinha escondida” envolvendo Lula, Augusto Lima e Vorcaro, Flávio tenta deslocar o debate para outro personagem. Mas a cobrança feita a ele não depende de Lula. O que está em discussão é o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, a atuação de Flávio nas tratativas com Vorcaro e a ausência de prestação de contas completa após promessa pública.

O argumento de que “o Brasil está lambendo em chamas” também não responde nada. A gravidade dos problemas nacionais não torna irrelevante uma suspeita envolvendo dezenas de milhões de reais, um banqueiro preso, uma produtora sem histórico anterior de filmes no Brasil e uma ONG investigada por contrato público milionário.

Flávio Bolsonaro quer os benefícios políticos de um filme sobre o pai, mas não quer responder pelas negociações que ajudaram a financiá-lo. Quer tratar o caso como privado quando convém, mas recorre à candidatura presidencial para se blindar de perguntas incômodas. Quer invocar uma prestação de contas que não apresentou notas fiscais, recibos nem origem completa dos recursos.

No caso Dark Horse, a contradição é o roteiro principal. Flávio prometeu transparência, não entregou. Disse que prestaria contas, depois afirmou que a obrigação era de outros. Usou uma reportagem que aponta lacunas como se fosse prova de esclarecimento. E, quando pressionado, tentou transformar uma pergunta legítima sobre dinheiro em ataque político. Para quem quer governar o país, é pouco. Para quem prometeu explicar tudo, é ainda menos.

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O Portal O Ralho é composto por um grupo de artistas digitais que utiliza a política como fonte de inspiração. Dado o tamanho da bizarrice a política é humor próprio e porque é, em si, uma coisa engraçada. O humor, ao contrário, é uma coisa muito séria. Provo: a política é toda feita de dribles à imprensa, de desmentidos impossíveis, de promessas jamais cumpridas, de ilusão, enfim, enquanto o humor não engana ninguém: ou é engraçado ou não é, está ali no papel em exibição pública, nu e cru. Seríssimo. Por isso, os políticos em geral são bons humoristas enquanto os humoristas sempre foram péssimos políticos. Então o Ralho traz a visão contestadora, humorística e diária da realidade…

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