Por Sergio Alarcon

Mendonça declarou guerra a Moraes ao levantar o sigilo e expor documentos sobre as relações entre Vorcaro e o escritório da esposa do ministro. Relações que, em grande medida, já eram conhecidas publicamente. A novidade foi a dimensão dos elementos revelados e a participação de Moraes na análise da minuta contratual. Algo que em si não é ilegal, mas que, me parece, merece investigação. E se isso merecer investigação, o filho de Nunes Marques também terá que ser investigado, e assim por diante, em efeito dominó.
Acontece que, numa guerrilha institucional, ataques desse tipo geralmente só deixam de ser meramente ritualísticos e passam a ser concretos, frontais e decisivos quando quem os desencadeia acredita ter nas mãos uma bala de prata. Mendonça, porém, crente que é, parece ter acreditado demais no próprio taco, e subestimado o tamanho, o alcance e, sobretudo, o poder de fogo do adversário.
Moraes não surgiu ontem.
Foi secretário de Justiça, ministro da Justiça e hoje integra o STF. Como qualquer personagem que percorreu esses centros de poder, acumulou relações, interlocutores e aliados – inclusive nos aparelhos de investigação e segurança do Estado.
Foi secretário de Justiça, ministro da Justiça e hoje integra o STF. Como qualquer personagem que percorreu esses centros de poder, acumulou relações, interlocutores e aliados – inclusive nos aparelhos de investigação e segurança do Estado.E, ato contínuo, começaram a aparecer também as relações de Mendonça e de outros personagens do universo político com Vorcaro.
A estranha jogada de xadrez de Mendonça pode ter produzido um primeiro estrondo. Mas a explosão política de verdade virá depois: quando o caso chegar ao Plenário e as atuais correlações de força forem submetidas à luz pública.
Isso provavelmente deve tirar o sono de Rachadinha e da turma do Dark Horse. A blindagem que Mendonça produziu para proteger o filho do presidiário e toda extrema-direita, pelo jeito, logo desmoronará, graças ao precipitado enxadrista crente.
Há cheiro de xeque-mate no ar…


















