Enfrentando desgastes e isolamento, Flávio Bolsonaro diz ser “uma pessoa altamente perseguida”
Declarações ocorrem após crise com Michelle Bolsonaro, investigação sobre ligações com o caso Banco Master e reunião com Donald Trump
Após enfrentar uma sucessão de desgastes políticos nas últimas semanas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (23), durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, que é alvo de uma perseguição política e de uma estratégia organizada para enfraquecer sua candidatura. As informações são do jornal O Globo. 
As declarações ocorrem depois da crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, das críticas à viagem feita aos Estados Unidos para tentar reverter as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros e das revelações sobre a contratação do escritório de advocacia do senador por uma empresa ligada à uma consultoria que recebeu repasses milionários do Banco Master.
“Sou uma pessoa altamente perseguida”
Logo no início da transmissão, Flávio agradeceu aos apoiadores e afirmou que sua campanha seguirá mobilizada. Em seguida, passou a comentar as críticas que vem recebendo.
“Vocês estão vendo a grande pancadaria em cima de mim dia sim, dia também. Eu vou dar explicações, mas não se trata mais disso. Eu sou uma pessoa altamente perseguida. Não é de agora. Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas o que está acontecendo agora é algo desproporcional porque estão vendo que eu sou uma ameaça ao sistema e aos interesses de muita gente que está no poder.”
Segundo o senador, existe uma ação coordenada para impedir sua chegada ao Palácio do Planalto. “Não querem Flávio Bolsonaro na Presidência da República. Mas sinto informá-los, e conto com a ajuda de todos vocês, que vai ter Bolsonaro subindo a rampa em 2027 e quem vai colocar a faixa em Flávio Bolsonaro é Jair Messias Bolsonaro. Queiram ou não queiram”, disse.
Comparação com Jair Bolsonaro
Durante a live, Flávio afirmou que estaria enfrentando o mesmo tratamento que, segundo ele, foi direcionado a Jair Bolsonaro (PL). “O modus operandi comigo é exatamente o que fizeram com meu pai.”
Na sequência, voltou a afirmar que o Brasil deixou de viver plenamente um Estado Democrático de Direito e sustentou que existe uma articulação para desgastá-lo politicamente.
“A gente não está mais num Estado Democrático de Direito. Contra mim e minha família vale tudo, vale gol de mão. Parece que umas pessoas se deleitam com isso. Mas não esqueçam que alguma hora essa perseguição pode voltar. Então, para mim, eu sou julgado todo dia sem provas. É uma coisa orquestrada. Fizeram com meu pai e estão fazendo comigo”, afirmou.
Pedido de desculpas a Michelle
O pronunciamento ocorreu poucas horas depois de Flávio divulgar um vídeo em que pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No material, o senador reconheceu a importância do trabalho desenvolvido por ela à frente do PL Mulher e renovou o convite para que participasse da campanha presidencial.
Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido de desculpas. Segundo aliados da ex-primeira-dama, o gesto público era uma condição para que ela voltasse a atuar na pré-campanha. Apesar da tentativa de reaproximação, Flávio não mencionou Michelle durante a transmissão ao vivo.
Banco Master amplia pressão sobre campanha
O discurso também ocorreu em meio a uma nova frente de desgaste relacionada ao Banco Master.
Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado apontam que a consultoria Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Uma empresa ligada à consultoria contratou o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
O senador reconheceu que prestou serviços jurídicos à Contábil Correa, mas afirmou que a relação comercial foi “completamente legal e privada”. Também declarou que chegou a negociar um contrato com a Copenhagen, mas disse ter cancelado duas notas fiscais antes da conclusão do acordo.
Caso Dark Horse segue produzindo desgaste
A nova controvérsia soma-se ao episódio envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.
Em maio, vieram a público mensagens nas quais Flávio negociava com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recursos para a produção cinematográfica. A divulgação provocou forte desgaste à pré-campanha presidencial e levou adversários a questionarem a proximidade entre o senador e o empresário. O caso passou a ser investigado para apurar a origem dos R$ 61 milhões destinados ao financiamento do filme, que teriam sido repassados pelo dono do Banco Master.
Viagem aos EUA terminou sem resultados
Outro episódio explorado por adversários foi a viagem de Flávio aos Estados Unidos para tentar convencer integrantes do governo Donald Trump a rever as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Após reuniões com representantes da administração estadunidense, o senador retornou ao Brasil sem anunciar avanços concretos nas negociações. A iniciativa acabou recebendo críticas inclusive de setores da centro-direita, que avaliaram que a estratégia fortaleceu o discurso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condução das relações bilaterais.
Narrativa repete estratégia utilizada por Jair Bolsonaro
Ao afirmar que sofre perseguição política, Flávio Bolsonaro adota uma linha semelhante à utilizada pelo ex-mandatário Jair Bolsonaro ao longo dos últimos anos.
Em diversas ocasiões, Jair Bolsonaro declarou ser alvo de uma atuação coordenada envolvendo adversários políticos, instituições e setores da imprensa, argumentando que haveria um esforço para inviabilizar seu governo e impedir seu retorno ao poder.
















